Pois infelizmente, não devemos confiar (ao menos, quando o assunto é IA). Quando decidi migrar uma grande parte dos meus documentos para o Google Drive (que há tempos, já estava utilizando para o uso ocasional) e tirar proveito da sua suíte de escritório online, resolvi criar duas bases de dados: uma aberta, que poderia ser perfeitamente compartilhada utilizando o serviço em questão e a outra privada, a qual seria mantida exclusivamente em meu PC desktop e cercada de todos os cuidados necessários (autenticação, criptografia, permissões de acesso, etc). Pelo visto, tomei uma decisão acertada…
“Video game developers of any size have plenty of challenges to face, like mass refunds of their short game or two developers releasing games with the same name during the same week. A new obstacle to worry about? AI scraping private documents and leaking unannounced information about their games. That’s what the solo dev behind Klub Kofta Studio alleges happened to him. He’s the creator of the tower defense game Operation Octo, which launched on Steam in September 2025. In a post on Reddit, he said Google’s AI told a player the name of an upcoming Operation Octo character that he had never publicly shared…”
— by Polygon.
O desenvolvedor solo por trás do jogo indie Operation Octo (um tower defense aquático lançado na Steam em setembro de 2025), que atua sob o nome Klub Kofta Studio, afirmou que a IA Gemini do Google revelou o nome de um personagem ainda não anunciado do jogo. Segundo ele, um jogador da comunidade do Discord começou a fazer perguntas à IA de busca do Google sobre conteúdos futuros do título, e a resposta trouxe o nome exato e bastante específico “Vantage Tripod”. Segundo o desenvolvedor, esta informação nunca havia sido mencionada a ninguém.
O ponto central da polêmica é que segundo o autor, esta informação existia apenas dentro de um documento privado do Google Docs, nunca tendo sido publicada, inserida nos arquivos do jogo (assets e código-fonte), em dados serializados ou mesmo digitada diretamente na própria IA. A comunidade do jogo conhecia informalmente apenas uma criatura apelidada de “Tripod Fish”, após um desenho ter sido compartilhado casualmente durante uma partida do jogo online Gartic Phone, mas o nome oficial do personagem jamais havia sido revelado. Para aumentar a suspeita, o jogador que fez as perguntas estava usando uma sessão anônima (modo incógnito) do navegador, o que reforçou a teoria de que não haveria como a resposta vir de um histórico de buscas pessoal.
Diante da repercussão do caso (que viralizou em fóruns como o Reddit), o Google se pronunciou publicamente negando que sua IA escaneie documentos privados dos usuários, para fins de treinamento (e tem gente que acredita). Uma representante da empresa afirmou à publicação que o Google não escaneia conteúdo privado para treinar sua IA. Apesar disso, o caso reacendeu debates sobre como exatamente os sistemas de IA recuperam e cruzam informações, os usuários de comunidades céticas em relação à Google e à IA especularam que a empresa poderia ter, por padrão, permitido que o Gemini acessasse arquivos do Google Drive dos usuários.
Vale notar que a situação está longe de ser conclusiva: trata-se (até o momento) de um relato não verificado de uma única pessoa (com a sua credibilidade posta em cheque). Outros jornalistas já tentaram reproduzir o mesmo resultado, realizando consultas diretamente ao Gemini, mas não tiveram sucesso. Ainda assim, o episódio serve como alerta para que os desenvolvedores de jogos (e outros criadores que armazenam IPs sensíveis em serviços de nuvem), evidenciando o tensionamento crescente entre a conveniência da colaboração online e o risco de que dados privados acabem de alguma forma, alimentando modelos de IA.
Nunca confiar, sempre verificar: eis, a filosofia Zero Trust! &;-D