… agora é a vez do Software Livre! Em diversos sites, portais e redes sociais voltadas para os jogos eletrônicos, em geral os gamers questionam bastante os jogos feitos com o uso da Inteligência Artificial, alegando que eles influenciam de forma bastante negativa a qualidade artística da obra, além de distorcer a visão do autor. Embora não concorde com estas opiniões, as entendo e compreendo. Mas o que me surpreendeu bastante nestes últimos dias, foi saber que a própria Comunidade do Software Livre também faz bastante boicotes contra a IA…
“Last weekend was KDE’s annual Akademy conference and it included a presentation proposing an AI-native KDE. We noted that it seemed likely to polarize the audience. It looks like this was a considerable understatement. In the days since, a debate over proposed restrictions on LLM-assisted contributions descended into bans and a deleted thread. An outside campaign called for KDE to prohibit AI altogether, a GNOME developer proposed a similar policy for that project, and KDE developer Nate Graham apologized for his role in the uproar.”
— by The Register.
Infelizmente, a proposta de tornar o KDE um desktop “nativo de IA” foi recebida de forma muito hostil. Ela surgiu na conferência anual Akademy, no fim de semana passado, com a palestra “A lovable, sovereign, AI-native KDE”. Embora já tivesse uma previsão de que o tema dividiria o público, foi basicamente subestimando! Ele também observa que a conclusão dos slides, que defende que a questão não é se usar IA, mas como, parece feita para gerar discussão. Para se ter uma idéia disso, os palestrantes sequer responderam aos pedidos de contato.
A polêmica cresceu quando o desenvolvedor Nate Graham abriu, no GitLab do KDE (Invent), uma discussão sobre regras mais restritivas para contribuições feitas com ajuda de LLMs. O debate esquentou rápido. Os moderadores emitiram advertências, limitaram os comentários e acabaram removendo a thread. Houve também banimentos: primeiro de quem chamou atenção para posts ofensivos de outro membro no X e depois, do autor desses posts, quando sua identidade foi verificada. A discussão sumiu, mas existe um arquivo dela, com aviso de linguagem pesada.
O assunto também se espalhou para fora do KDE. Uma iniciativa externa, a “KDE for People”, pediu que o projeto adotasse uma política de proibição total de IA e reuniu cerca de 250 assinaturas antes de fechar a coleta. No GNOME, o Jordan Petridis (desenvolvedor) publicou um texto propondo barrar LLMs de criar ou modificar qualquer coisa enviada ao projeto ou hospedada em sua infraestrutura. Já em uma votação recente no Debian (ao contrário do que os críticos queriam), não foi proibida as contribuições feitas com IA.
Graham explicou seu papel em um post no blog, pedindo desculpas por ter provocado, sem querer, o que chamou de uma confusão enorme ao tentar redigir diretrizes mais restritivas. Ele afirma que a palestra do Akademy teve uma recepção fria e que um workshop no dia seguinte sobre o tema também foi recebido com frieza. O quadro é o de uma comunidade bastante desconfortável com a ideia de IA no centro do desktop, e não apenas de uma briga pontual entre indivíduos.
Por fim, a publicação original lembra que o KDE define a cada dois anos, três metas para o período seguinte e as escolhidas nesta semana (após o Akademy), foram: KDE para empresas e implantações corporativas, melhor documentação e um estilo visual de nova geração. Nenhuma menciona IA, o que segundo o autor, pode ser um alívio para parte da comunidade. Em resumo, uma proposta tecnológica virou um conflito de governança e de valores, que ainda não terminou.
Por enquanto, esta tempestade catastrófica ainda não chegou ao GNOME… &;-D