Ray Tracing para pobres e Path Tracing para ricos? Pois em vista…

… dos requisitos de hardware exigidos, teremos um futuro cenário onde ambas as tecnologias serão adotadas! Em geral, estamos acostumados a assistir as antigas serem substituídas pelas mais novas, mas por incrível que pareça, não acredito que este será o caso do Ray Tracing (RTX) e Path Tracing (PTX). Ambas são designadas para elevar o padrão de qualidade gráfica dos jogos eletrônicos, porém em vista da entrega de resultados diferenciados, que combinados com o uso intensivo de recursos de de hardwares, elas irão coexistir de forma pacífica…

O Ray Tracing (“traçado de raios”) é uma técnica avançada de renderização gráfica que simula o comportamento físico da luz, rastreando o caminho dos raios virtuais para gerar sombras, reflexos e refrações realistas em tempo real (daí, o nome). Em vez de desenhar os gráficos através de aproximações (rasterização), o RTX calcula a cor de cada pixel traçando um raio que sai da câmera (visão do jogador), que por sua vez “bate” no objeto e segue em direção a uma fonte de luz, garantindo assim reflexos mais precisos, sombras naturais e iluminação global.

Já o Path Tracing (“traçado de caminhos”) é uma técnica de renderização gráfica mais avançada que o RTX (embora seja baseada no mesmo princípio), se destacando em utilizar múltiplos raios de luiz para aplicar o rastreamento em toda a cena! Com isto, o PTX consegue obter resultados muito mais precisos, aproximando-se do tão almejado foto-realismo. Mas como vocês já devem ter imaginado, ele exige muitos recursos de hardware das GPUs, além de depender de recursos de IA (como o DLSS ou o Frame Generation) para manter uma taxa de quadros (FPS) jogável.

Se por um lado o Path Tracing oferece resultados superiores em comparação ao Ray Tracing, por outro esta última entrega uma relação custo vs benefício bem mais interessante, que apesar dos seus resultados apenas satisfatórios, utiliza menos recursos de hardware. Por isto, nem é preciso ser um gênio para concluir que hardwares intermediários (e talvez básicos) não terão muita escolha, a não ser utilizar o RTX, ao passo que os hardwares mais avançados poderão optar pelo PTX.

Mas, conhecendo as práticas agressivas de marketing de certos fabricantes, não ficarei surpreso em saber que novos hardwares serão lançados, prometendo suportar a (megalomaníaca) definição 4K, a 60 FPS e com Path Tracing, quando na prática eles fariam um bom trabalho no suporte ao Full-HD, mantendo a mesma taxa de quadros (ou até mais), mas com o “bom e velho” Ray Tracing! Inclusive, isto vale especialmente para os novos consoles da 10a. geração: PlayStation e XBOX!

A geração atual (exceto o Xbox Series Sprometia 4K/60 FPS para os jogos da sua época, mas mal conseguem manter 30 quadros para os jogos atuais, além de serem obrigados a reduzirem a qualidade gráfica para isto, sem contar ainda a dependência de tecnologias voltadas para o escalonamento da resolução. Por isto, acredito que apesar de todo o clamor em torno do Path Tracing, os novos consoles farão mesmo é o uso intensivo do Ray Tracing, em vista dos seus hardwares não serem capazes de acompanhar a evolução dos jogos (tal como a geração atual).

Já em relação aos PCs, a situação será bem diferente: pelo fato da plataforma possibilitar a customização de hardware e a carteira ser o limite, veremos estas máquinas serem construídas por entusiastas, tendo como objetivo o suporte para a definição 4K e o Path Tracing, ao passo que os mais abastados se contentarão com o Full-HD e o Ray Tracing (ambos, mirando os 60 FPS). Por fim, ainda teremos os consoles portáteis e os jogadores casuais que, em vista das limitações de hardwares do seu sistema, talvez nem sequer façam o uso destas tecnologias.

Se estarei certo ou muito enganado? Bem: só saberemos daqui há um tempo… &;-D

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