… perde (feio) para o Google Chrome? Esta, é a opinião de Abhijith N Arjunan (editor do portal Make Use Of), em relação aos navegadores web Google Chrome (que atualmente detém +2/3 do mercado) e Mozilla Firefox. Pois apesar deste último oferecer vantagens significativas em termos de privacidade, código aberto e gratuidade, ele perdeu espaço considerável no mercado de navegadores para o Google Chrome, com sua participação global caindo para cerca de míseros 2,26%…
“Have you ever come across a product and thought, ‘Why doesn’t everyone use it instead of subpar options?’ If you have ever used Mozilla Firefox and Google Chrome, you’d be familiar with this thought. It doesn’t really matter which aspect you prioritize; Mozilla Firefox is better than Google Chrome. It is completely free, open-source, and private. Yet, Firefox lost the race to Google Chrome. It raises an important question: why would people choose the RAM-hogging privacy nightmare that is Google Chrome…”
— by Make Use Of.
Segundo Arjunan, o sucesso do principal concorrente não se deu apenas por mérito próprio do software, mas sim pelo peso estratégico da marca que o carrega. A gigante das buscas utilizou sua página inicial – o site mais visitado do mundo – para promover massivamente o seu próprio navegador web, criando assim uma vantagem competitiva que a concorrência não tinha como replicar (vale lembrar que durante anos, a Microsoft teve 90% deste mercado com o Internet Explorer, apenas pelo simples fato dele já vir pré-instalado no sistema operacional).
Além do marketing agressivo nos computadores, o domínio nos dispositivos móveis também consolidou a sua liderança no mercado. Desde 2012, o Chrome também passou a vir pré-instalado como o navegador padrão no ecossistema Android. Essa presença nativa fez com que milhões de usuários novos e antigos se familiarizassem com a interface e os recursos deste navegador web, levando este (terrível) hábito de uso diretamente para os seus computadores de mesa e notebooks.
Essa enorme base de usuários gerou um efeito dominó no desenvolvimento web, criando uma espécie de monocultura em torno do motor de renderização Chromium (Blink). Com o Chrome liderando isolado, desenvolvedores de sites e plataformas passaram a otimizar suas páginas prioritariamente para essa tecnologia, deixando motores alternativos de lado. Por isto, quem utilizava outras opções começou a enfrentar pequenos problemas de compatibilidade e falhas visuais no dia-a-dia, o que motivou ainda mais migrações direcionadas ao líder de mercado.
Por outro lado, decisões internas da própria organização também aceleraram a perda de público. Em 2017, o lançamento da versão Quantum trouxe melhorias drásticas de performance, mas exigiu a transição para uma nova arquitetura de extensões. Essa mudança técnica acabou quebrando o funcionamento de diversos complementos antigos e exclusivos, o que frustrou e afastou a comunidade de usuários mais leais, que dependiam dessas ferramentas personalizadas.
Embora os problemas históricos de consumo de memória e desempenho tenham sido corrigidos ao longo do tempo, a reação veio tarde demais para reverter o cenário. O Chrome já havia se estabelecido na mente do público como o sinônimo de navegação moderna. Hoje, mesmo quando as pessoas buscam alternativas devido a preocupações com privacidade, a tendência predominante é migrar para outros navegadores que também utilizam a sua engine, evidenciando o impacto duradouro desse monopólio técnico na web.
Apesar de tudo, continuo com o meu bom e velho pandinha vermelho… &;-D