Se você fosse eleger o jogo eletrônico que mais marcou a sua vida, qual seria? Em geral, a maioria dos jogadores são influenciados por jogos que tiveram contato ainda na sua infância e adolescência, por eles serem mais suscetíveis a impressões (tanto positivas, quanto negativas) nesta fase da vida (algo normal, por ainda estarem se formando). Quanto a mim, bem: já curti muitos jogos durante estes períodos e mesmo assim, nenhum deles gerou um grande impacto. Mas a partir dos meus 20 anos (um “quase” adulto), bem: a história foi bem diferente…
Nesta época, já conhecia alguns clássicos jogos de tiro FPS, destacando-se os lendários DOOM, Heretic, ROTT e Hexen. Posteriormente, conheci Duke Nuken 3D e Blood, além de ter ficado bastante empolgado com as experiências proporcionadas pela “falsa” ambientação 3D que eles ofereciam. Mas foi a partir de 1996, que a id Software se tornou pioneira neste mercado, por ter desenvolvido uma engine 3D “de verdade” e lançado Quake, o primeiro jogo FPS que contavam com ambientes tridimensional criado a partir de gráficos vetoriais! Embora relativamente pesado para os padrões da época, o Quake entregava uma imersão única!
Foi “amor à segunda vista”! De início, não pude ter boas experiências em virtude das limitações do meu hardware na época: um PC desktop dotado de uma CPU AMD 486 DX4 de 100 Mhz, 8 MB de memória RAM e placa de vídeo Trident 9680 com apenas 1 MB de VRAM, além de 1 GB de armazenamento (Maxtor). O monitor em questão era um CRT da Phillips, com 14″ e resolução máxima de 800×600. Somente depois de ter trocado o “miolo” do sistema, adquirindo uma CPU Pentium-MMX de 200 Mhz, com 32 MB de memória RAM EDO, placa de vídeo Diamond Stealth II S220, kit multimídia Creative Discovery 12x e 2.5 GB de armazenamento (Western Digital), pude finalmente apreciar toda a beleza e desenvoltura de Quake e sua engine 3D!
Na época, lembro-me de virar as noites dos finais de semana jogando este FPS memorável. Mais à frente, em vista da disponibilidade do código-fonte (sob os termos da GNU GPL) e do lançamento das modificações não oficiais, além das ferramentas para a criação de conteúdos adicionais, a vida útil do jogo original se prolongou bastante, ao ponto de curti-lo por muito tempo. Também me lembro de só tê-lo deixado de lado, em vista de outros grandes clássicos FPS 3D “de verdade”, como foi o caso do próprio Quake II, além de Hexen II, Unreal e Half-Life. E ainda mais à frente, me decepcionei com o modo multiplayer de Quake III.
30 anos se passaram. Quake se tornou um marco na história dos jogos FPS! Mesmo depois de tantos anos, ainda tenho saudades dos tempos que jogava este incrível FPS, revisitando-o de tempos em tempos. Em vista das comemorações de aniversário anteriores, edições revitalizadas de Quake I e II foram lançadas pela NightDive Studios, o que me possibilitou adquiri-los para rodar no meu bom e velho Xbox Series S (embora sem suporte para o tão amado Ray-Tracing). Sim, mais do que um incrível jogo FPS, Quake fez parte da minha vida como nenhum outro jogo.
Hoje em dia, os jogos modernos são brutais em termos de conteúdos, qualidade gráfica e tecnologias que em tese, deveriam tornar as experiências de jogo empolgantes e imersivas. Mas na prática, muitas vezes acabo ficando entretido mesmo com “os jogos de antigamente”, pois além de Quake I e II, também venho experimentando outros títulos que apesar de ser lançamentos recentes, buscam trazer as mesmas experiências dos jogos clássicos de antigamente!
Pois a realidade, é que os jogos modernos já atingiram o seu ápice… &;-D