Linux nos desktops: percentual de usuários despenca de um mês…

… para o outro (e eu quase não percebi)! Há alguns meses, os sistemas GNU/Linux alcançaram uma expressiva fatia do mercado de desktops no mês de julho, chegando a 7.51%. Algumas semanas depois, esta fatia ainda continuou crescendo, alcançando a incrível marca de 8.88%! Porém, em vista do curto espaço de tempo em que isto aconteceu, resolvi não publicar nada a respeito, considerando duas possibilidades para justificar (ou não) estes valores inesperados…

A primeira estava na expectativa deste crescimento continuar ao longo das semanas (e não meses) e chegar a marca de 10% que na minha opinião, seria um “divisor de águas” para a ascensão do Linux em desktops. A partir deste ponto, a sua presença se tornaria evidente (embora baixa) a ponto do mercado não ignorar mais a sua existência, passando a lhe dar a mesma atenção que o Windows e o macOS. Teríamos mais softwares comerciais sendo suportados e com o passar do tempo, as barreiras que impediam os novos usuários a adotá-lo, logo cairiam.

A segunda levava em consideração a baixa precisão desta medição e por isto, os números reais estariam bem abaixo daquilo que foi divulgados. De início, acreditava-se que o baixo percentual de sistemas não identificados (unknown) também fossem baseados em Linux, o que explicaria (em parte) estes números. Além disso, tivemos o impacto positivo da Valve no segmento dos jogos, em virtude da popularidade do seu sistema SteamOS e camada de compatibilidade Proton. Por fim, até mesmo a Microsoft teria “colaborado” para isto, através do Subsistema do Windows para Linux (WSL) e da baixa popularidade do próprio Windows 11.

Infelizmente, a segunda possibilidade se confirmou: os números (inflados) se deram em vista da existência e proliferação de bots na Internet, os quais são programas automatizados baseados em Linux, designados para rastrear conteúdos na web e atuar como agentes de IA. Ao executarem as tarefas para as quais eles foram programados (varrer a web e acessar diversos sites), os registros gerados são classificados como tráfego gerado por este sistema pela ferramenta estatística StatCounter, distorcendo assim os dados utilizados para as medições.

Com a rápida popularização de agentes de IA, o tráfego de bots na Internet tem aumentado de forma significativa, a ponto de já ter superado com folga o tráfego gerado por seres humano (lembro-me de ter lido a respeito do CEO da Cloudflare ter afirmado isto, este ano), fazendo com que todos os dados estatísticos da web (que dependem de visualizações de página) estejam bem distorcidos, exigindo uma filtragem cuidadosa do tráfego que é gerado por seres humano, para que possamos ter uma “interpretação” mais adequada. Atualmente, o seu percentual é de 4.54%.

Se estou desapontado? Nem tanto! Por um lado, já desconfiava da possibilidade destes números não serem reais, apesar de estar bastante empolgado pela possível ascensão (a curto prazo) do Linux em desktops. Por outro lado, estes eventos não só confirmam a importância do Software Livre (incluindo o Linux) como um todo na infraestrutura que hoje conhecemos como a Internet, como também reforçam a necessidade dos profissionais de TI estarem familiarizados e capacitados com todo este ecossistema de softwares e serviços, que se formou em torno do Linux.

Pois acreditem ou não, muitos deles ainda fazem cara feia para o Tux… &;-D

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