… gráfico livre, completou 30 anos nesta última 4a. feira (14/out)! Em 1999, tive as minhas primeiras experiências de uso dos sistemas GNU/Linux, através da distribuição Conectiva Linux 3.0. Obtive a mídia de instalação através das revistas de Informática na época que traziam como brinde, CDs de instalação para diversos tipos de softwares. Embora não tenha me causado uma boa impressão inicial (devido a sua falta de maturidade), ela já havia me conquistado pela promessa de que um dia, poderia substituir o problemático Windows 98…
Semanas depois, adquiri as mídias oficiais do Conectiva 4.0, que tinha como destaque a suíte de escritório StarOffice (licença para o uso não comercial), além de uma série de refinamentos para o ambiente gráfico KDE. Embora já tivesse experimentado o KDE (ainda no Conectiva 3.0), o WindowMaker trazia uma interface mais polida e funcional, se comparado ao novo KDE 1.0. Mesmo assim, foi justamente o KDE que me chamou a atenção, por entregar um ambiente gráfico completo e funcional, além de oferecer a mesma usabilidade do Windows.
Três anos se passaram e em 2002, comprei um novo PC desktop e resolvi apostar de vez nos sistemas GNU/Linux, passando pela fase da “ciranda das distribuições” (teste de várias distros em um curto período de tempo) até decidir pelo Slackare como a minha distro oficial. Mas independente de qual sistema usar, o KDE já havia se tornado o meu ambiente gráfico preferido, que na época alcançou um amadurecimento notável, a partir da versão 3.0. De 2002 a 2008, não só continuei usando o bom e velho Slackware, como também toda a série do KDE 3.X.!
Em 2008, o novo KDE 4.0 promoveu uma profunda reformulação da sua interface gráfica e de toda a sua infraestrutura de software que, apesar de modernizá-lo em vários aspectos, trouxe uma série de problemas de estabilidade e acabamento. Isto me obrigou a mudar de ambiente gráfico e ao mesmo tempo, de distribuição (pois o Slackware já havia removido o GNOME do seu repositório oficial). No final das contas, acabei ficando com o Debian e passando um bom tempo com o Xfce, pois além de ser bastante leve para o meu notebook, o GNOME 3.0 também estava passando por problemas parecidos na reformulação de usa interface.
O KDE utiliza a biblioteca gráfica Qt, que nos seus primeiros anos não possuía uma licença de código aberto compatível com os termos da GNU GPL, o que gerou um enorme desconforto para os entusiastas do Software Livre e culminou na adoção do GTK (a biblioteca gráfica do GIMP) para a criação de um ambiente gráfico alternativo: o GNOME. Tempos depois, a Trolltech (dona da biblioteca) liberou a Qt sob os termos das licenças de código aberto GPL e LGPL, embora também mantivesse uma licença comercial para o seu uso em aplicações comerciais.
Mas infelizmente, o estrago já estava feito: a reputação do KDE, que por muito tempo era visto como um ambiente gráfico que não era de totalmente de código aberto (apenas por ter adotado uma biblioteca gráfica corporativa) foi afetada de tal forma, que proporcionou o crescimento e a adoção massiva do GNOME, que na época era inferior em praticamente todos os aspectos. Além disso, a grande maioria das aplicações disponíveis eram baseadas em GTK, o que também auxiliou na popularização do GNOME, ao promover uma maior integração visual.
Por um período de 6 anos, fui um feliz usuário do KDE! Apesar de ter migrado para o GNOME e ter me apaixonado pela simplicidade e eficiência deste último, não deixei de admirar aquele que considero o mais poderoso ambiente gráfico disponível para os desktops. Mas como já havia dito, hoje em dia uso (e admiro) o GNOME em vista dele estar mais alinhado ao meu perfil de usuário, sem contar ainda que ele me entrega uma usabilidade sem precedentes, se comparado com os ambientes gráficos que oferecem uma série de recursos e funcionalidades.
Para aqueles que amam o KDE (e o “defendem” com “unhas e dentes”), não deixem de apoiar este incrível projeto de código aberto, o qual só perde em termos de grandiosidade e magnitude, para o kernel Linux. Mesmo não dispondo de tantas aplicações escritos para fazer o uso do Qt, ele possui uma bela coletânea de softwares que tornam o ambiente completo e funcional. Inclusive, os fundadores já estão se preparando para os próximos 30 anos, convocando a comunidade para colaborar, seja através de doações ou se tornando um membro de suporte.
Além de torcer para que o Windows também se torne um ambiente gráfico… &;-D