Microsoft Defender para o Linux? Até parece que hoje é 1o. de abril!

Há muitos anos, os sites e portais especializados em Linux & Software Livre, tinham a “tradição” de publicar notícias falsas no dia 1o. de abril (“dia da mentira”). Em vista do seu posicionamento agressivo contra o Software Livre, a Microsoft era uma das empresas mais citadas nestas publicações e notícias voltadas para o lançamento de produtos e serviços para o Linux, eram bastante comuns. O que muitos entusiastas não esperavam, é que anos depois a empresa iria abraçar o Código Aberto e de fato, lançar serviços e produtos para o Tux…

“It might not be the Year of the Linux Desktop yet, but it could be the Year of Corporate Compliance on the Linux Desktop as Microsoft releases Defender for Linux Workstations. The product is an extension of Microsoft’s existing Defender for Endpoint. According to the Windows behemoth, it brings enterprise-grade protection, detection, vulnerability management and response capabilities to Linux workstations.”

— by The Register.

Mas a grande ironia, está por vir: a empresa anunciou a expansão do Microsoft Defender for Endpoint para estações de trabalho baseadas em Linux, trazendo proteção de nível empresarial, detecção, gerenciamento de vulnerabilidades e capacidades de resposta para os desktops com sistemas GNU/Linux. A solução oferece funcionalidades antivírus, ferramentas de gerenciamento de inventário e configurações de segurança, além de isolamento de dispositivos. O principal objetivo da empresa é entregar uma cobertura mais ampla, utilizando os mesmos processos e ferramentas já confiados pelas equipes de segurança corporativa.

Atualmente em fase de prévia pública (public preview), o recurso exige licenças do Microsoft Defender for Endpoint Plano 2 ou planos Microsoft 365 E5/E7. O suporte abrange diversas distribuições e versões de kernel populares no meio corporativo, incluindo RHEL, CentOS, Ubuntu LTS, SUSE Linux Enterprise Server e Oracle Linux. Um ponto prático ressaltado é a inexistência de um agente de desktop separado, operando da mesma forma que na versão já existente para servidores Linux.

A motivação declarada para este lançamento é o atendimento à demanda dos clientes e a necessidade de proteção consistente, dado que a crescente adoção do ecossistema por desenvolvedores torna essas máquinas alvos mais atrativos para ataques. No entanto, embora a implantação técnica seja simplificada para administradores, a novidade pode gerar atritos com usuários finais que resistem ao monitoramento por ferramentas da gigante de Redmond, mesmo com o discurso amigável da empresa em relação ao software livre.

Por fim, vale destacar que o monitoramento do ecossistema pelo Defender não é algo inédito, já que a versão para Linux havia sido anunciada lá em 2020. A pesquisa de desenvolvedores do Stack Overflow já demonstrava a forte presença do Ubuntu nos ambientes profissionais, com 27,7% de preferência em comparação aos 49,5% do Windows. Dessa forma, a iniciativa vai de encontro a uma presença massiva e consolidada de profissionais, que já utilizavam o sistema diariamente e que em tese, estariam interessados em soluções voltadas para a segurança.

Deixe-me ver se entendi: uma empresa que tem a “tradição” de entregar softwares com problemas sérios de segurança, além dos já conhecidos de estabilidade e performance, vai oferecer (e cobrar) justamente uma solução de segurança para sistemas quem em geral, são superiores neste aspecto (em comparação ao Windows)? Inclusive, a sua principal função (anti-vírus) nem sequer terá tanta utilidade, uma vez que os sistemas GNU/Linux são imunes aos malwares feitos para o Windows!

Seja como for, prometo que vou acompanhar o desenrolar destes eventos… &;-D

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