Porque muitos jogadores ainda são fascinados por jogos clássicos em 2D?

Se existe algo na comunidade de jogadores que não consigo entender, é esta enorme fascinação por jogos “de antigamente”. Mas, não estou falando apenas nos títulos antigos lançados há décadas, disponibilizados para consoles que foram referências no seu tempo e já não existem mais (pois até aí, entenderia o apreço pela nostalgia). Estou me referindo mesmo aos jogos 2D que ainda são lançados “propositalmente” neste formato e não raro, também usam engines “datadas”

Durante a minha infância e parte da adolescência, curti muito os jogos lançados para os consoles da época, como é o caso do Master System, do Nintendo, do Mega Drive e do Super Nintendo. Na época, em vista das limitações de hardware, não era possível contar com jogos dotados de gráficos avançados e em 3D e mesmo os PCs desktops mais poderosos da época, contavam apenas com a CPU para realizar todo o trabalho de renderização (as unidades gráficas só chegariam depois). Porém, tudo mudou a partir do momento em que joguei “DOOM” pela primeira vez.

Embora seja classificado como um jogo 3D, na prática “DOOM” era considerado como “2.5D”, em vista da utilização de uma engine que criava a ilusão de um ambiente tridimensional, baseando-se em mapas bidimensionais. Por isto, não havia a possibilidade “olhar para cima e para baixo” de forma livre, além dos objetos e personagens estarem sempre sendo exibidos diretamente para o jogador, devido as limitações da tecnologia (sprites). Mesmo assim, a engine do jogo entregava uma experiência de jogabilidade 3D, tal como encontramos nos jogos 3D modernos!

A partir daí de então, que nunca mais olhei do mesmo jeito para os jogos 2D. Qualquer novo título que viesse a experimentar (através dos bons e velhos sharewares), tinha como principal requisito ser 3D (ainda que fosse um 3D “fake”). Também joguei outros títulos consagrados na época, como é o caso de “Heretic”, “Duke Nukem 3D”, “Hexen”, “ROTT” e “Blood”. Já os jogos 2D que apareceram depois da segunda metade dos anos 90 (durante o “boom” do jogos 3D), nem sequer os conheço! Mesmo assim, muitos jogadores ainda curtiam estes jogos.

E (por incrível que pareça) ainda curtem: a Steam não só possui um belo catálogo de títulos em 2D (tanto antigos, quanto novos), como também divulga de forma regular, os principais jogos do mercado: “Stardew Valley”, “Hollow Knight”, “Terraria” e “Dead Cells” são alguns dos títulos consagrados, que se destacam pela sua arte “pixelada” e mantendo a mesma estética dos jogos antigos. Já “Ori and the Will of the Wisps”, “Prince of Persia: The Lost Crown” e “Cuphead”, bem: estes deram um upgrade na parte gráfica, exigindo placas “aceleradoras de vídeo” para a renderização.

Por um lado, confesso que muitos deles me chamaram a atenção, em virtude da sua nova roupagem (por adotar engines modernas e fazer o uso de recursos gráficos avançados), propostas de jogo e experiências que proporcionam. Eu mesmo cheguei a até adquirir alguns, como é o caso da série “Assassin’s Creed: Chronicles”, justamente para explorar o nicho e se gostar, curti-los de forma casual. Mas ainda assim, os jogos 3D ainda continuam sendo os meus favoritos e, pelo que tenho visto dos lançamentos recentes, ainda vão continuar por um bom tempo.

Pois com o “fim” do Xbox, tenho que fazer valer a minha biblioteca… &;-D

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