… de maneira bem “diferente”! A partir do momento em que me senti mais confortável para conduzir os meus estudos através do uso de materiais didáticos no idioma inglês, a abordagem direta, clara e sistematizada das obras baseadas nesta língua, foi o aspecto mais positivo em todo o processo. Tão impactante, que até hoje prefiro estudar em inglês ao invés de português! Inclusive, também já havia me dado conta destes padrões ao interagir com chatbots de IA…
“Ask an AI chatbot to complete a personality questionnaire in English, then give it the Mandarin version, and its answers paint a different picture. In tests of five systems, switching languages changed how strongly the responses expressed qualities such as curiosity, cooperativeness and dependability. The shifts did not all run in the same direction. For example, ChatGPT-4o’s answers in English suggested greater open-mindedness, while DeepSeek-V3’s Mandarin responses scored higher in that category. The country in which a model was developed offered some clues to the pattern but also some misleading expectations.”
— by Tech Xplore.
Um estudo recente publicado pela Royal Society Open Science, evidenciou que a alternância de idioma é capaz de alterar de forma substancial e perceptível, os resultados de avaliações psicológicas e testes de personalidade aplicados em chatbots de IA. Ao submetê-los aos mesmos questionários de perfil comportamental (primeiro em inglês e posteriormente, em mandarim), os pesquisadores observaram algumas variações significativas nos traços identificados. Esse fenômeno demonstra que a persona projetada por um modelo de linguagem não é fixa nem universal, variando de acordo com o código linguístico utilizado na interação.
Estas diferenças ocorrem porque os modelos de IA não processam conceitos e atributos de caráter de maneira neutra ou isolada do contexto sociocultural. A escolha do idioma atua como um gatilho que altera tanto a intensidade quanto a direção das respostas aos testes simulados. Desta forma, traços de personalidades como extroversão, amabilidade ou raciocínio analítico, podem emergir com nuances completamente distintas, dependendo da língua em que as perguntas são formuladas, revelando a complexidade subjacente ao processamento de linguagem natural.
A análise comparativa realizada em cinco grandes plataformas de chatbots de IA apontou que essas divergências, decorrem diretamente da composição dos dados empregados no treinamento. Os corpora textuais de cada idioma trazem consigo um conjunto específico de referências culturais, normas sociais e padrões discursivos e como consequência disto, o modelo absorve e reflete os valores e comportamentos predominantes nos dados de cada língua, moldando a lógica interna do sistema de acordo com o repertório cultural associado ao idioma em uso.
Essas descobertas trazem implicações profundas para a confiabilidade e a padronização de tecnologias de IA em ambientes globais e corporativos. Sistemas automatizados empregados em processos seletivos, triagens de recursos humanos, atendimentos ao cliente ou suporte psicológico podem apresentar diagnósticos e comportamentos enviesados ou incoerentes. Portanto, a dependência do idioma pode gerar discrepâncias indesejadas no tratamento oferecido aos usuários, comprometendo a equidade das decisões automatizadas.
Diante desse cenário, compreender e mapear tais assimetrias torna-se um passo essencial para que desenvolvedores e pesquisadores aprimorem o alinhamento e a estabilidade dos modelos conversacionais. O grande desafio para o avanço da área consiste em criar mecanismos de mitigação que neutralizem distorções culturais excessivas, garantindo que as respostas e o comportamento das IAs permaneçam consistentes, seguros e previsíveis, independentemente do idioma selecionado pelo usuário.
Resumindo: a partir de agora, vou (tentar) interagir apenas em inglês! &;-D