…. boa chance do padrão Wi-Fi 7 fracassar! Muitas vezes, o que dita o sucesso de uma tecnologia, produto ou serviço, não está nos avanços proporcionados por ela e sim, a sua capacidade de se integrar com os demais elementos que fazem parte de um sistema. No caso dos dispositivos de redes (routers, switches, APs, etc), o suporte aos protocolos legados é fundamental para garantir a sua sobrevivência, ainda que ele traga alguns prejuízos relacionados à segurança (os quais, devem ser contornados), como é o caso do atual padrão Wi-Fi 7…
“Broadband industry research body CableLabs is warning that attempts to make Wi-Fi 7 access points accommodate older devices can create compatibility problems of their own, and wants hardware makers to prioritize support for the industry’s workaround. Wi-Fi 7 products have been finding their way into buyers’ hands for a couple of years now, with the Wi-Fi Alliance kicking off its certification program for the latest iteration of the wireless network tech at the start of 2024.”
— by The Register.
A CableLabs, entidade de pesquisa da indústria de banda larga, alertou que as tentativas de fazer os pontos de acesso Wi-Fi 7 funcionarem com dispositivos mais antigos estão criando sérios problemas de compatibilidade. O foco da preocupação é como o hardware Wi-Fi 7 implementa o WPA3, versão mais recente do padrão de segurança Wi-Fi Protected Access, que a Wi-Fi Alliance tornou obrigatório na banda de 6 GHz usada por Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7. O problema é agravado pela enorme diversidade de dispositivos em uso…
Segundo a CableLabs, há mais de 23 bilhões de dispositivos Wi-Fi no mundo, muitos baseados em hardware Wi-Fi 5 ou até Wi-Fi 4, especialmente em ambientes domésticos. O Modo de Transição WPA3-Personal deveria permitir que um ponto de acesso ofereça autenticação WPA2 e WPA3 na mesma rede, mas alguns clientes legados não conseguem ignorar corretamente as informações de segurança que não reconhecem, o que os impede de se conectar. Como resultado, um consumidor pode atualizar para um roteador Wi-Fi 7 e descobrir que aparelhos antigos deixam de funcionar, gerando confusão e mais chamadas ao suporte técnico das operadoras.
Existe uma solução técnica para isso, que a CableLabs quer ver priorizada por fabricantes de chipsets e de equipamentos Wi-Fi 7: o Modo de Compatibilidade WPA3-Personal (PCM), desenvolvido pela Wi-Fi Alliance. Esse modo move as informações de segurança específicas do WPA3 e do Wi-Fi 7 para elementos chamados Robust Security Network Override (RSNO), permitindo que o ponto de acesso anuncie WPA2-Personal pelo elemento RSN legado, enquanto que os clientes compatíveis com RSNO negociam a segurança mais forte, exigida pelo Wi-Fi 7.
O problema é que essa solução exige que os próprios dispositivos clientes suportem o mecanismo RSNO para operar em modo Wi-Fi 7 com um ponto de acesso Wi-Fi 7. Se o WPA3-PCM estiver ativado, clientes sem suporte a RSNO ficam limitados à operação em Wi-Fi 6 com WPA2-Personal, mesmo que o hardware deles suportasse Wi-Fi 7. Como o RSNO ainda é recente, muitos dispositivos não o suportam e a CableLabs também está pedindo que fabricantes de dispositivos domésticos inteligentes e de baixo custo, façam os devidos testes em seus produtos.
Isto não havia acontecido antes, em vista da possibilidade de configurar os dispositivos mais antigos para usar o WPA2, caso não suportassem o novo padrão. Mas como o Wi-Fi 7 exige o uso do WPA3 e a sua adoção em redes residenciais continua crescendo, esta alternativa deixou de ser viável, motivando o desenvolvimento do WPA3-PCM. Atualmente, o Wi-Fi 7 representa cerca de 7,2% do mercado dos EUA, e o Wi-Fi 8 já está surgindo no horizonte, com fabricantes como a Broadcom começando a preparar seus chips para o próximo padrão.
Pelo visto, ainda ficaremos com o Wi-Fi 6 por um bom tempo… &;-D